Só Trocadilhos

Apenas uns trocados de palavras!

Thursday, February 01, 2007

Câmera 70!

Filmei tudo. Estava eu lá. E lá. era lá. entende? O lugar perfeito. Anos 70. Música popular. Uma casa que fica no terceiro andar para baixo da Barra. A cozinha pequena, perfeita. A sala, mostrava uma dimensão que poucos podiam ver. A varanda, essa minha preferida. Os amigos, novos e velhos, amigos de outras vidas. Um calor nada humano. Mas as conversas tinham a leveza dela. E eu relaxei. Me senti em casa. Você. Tenho certeza. sentiria também. Falávamos de vidas passadas. E sim. Eu já te conhecia mesmo antes de te ver. E tinha certeza que era do bem. Os amigos cantarolavam músicas feitas na hora certa. Músicas como Chico, Caetano, Bethania, Frank Sinatra, Beatles. E eu lá. Filmando tudo. Estava em pleno anos 70. Na Bahia de todos os santos. Clareando e dançando sem parar de rodopiar em cima do seu salto 8. Com as saias acompanhando todos os movimentos. Sutis. Valsando o calor da madrugada. E a casa dançava em perfeita harmonia. Mesmo com os ritmos misturados. Todos no mesmo barco. Risada solta. O melhor som de todos. Palavreamos sobre tudo e sobre nada. Na casa que dança. Os quadros dançam também. Até mesmo o violão de Miró. A fechadura. O gato. Os muros. Seus ladrilhos. E até mesmo brisa. que comia cinzas de formiga. Todos em perfeita harmonia. E eu lá. Filmei tudo. Até quando fui para o céu e brinquei com o colchão de ar. Não recomendo. Só para conversar. Único dia de insônia por lá. conheci as essências. Olhei nos olhos. Uma pena você não estar lá. As luzes radiantes. Como nunca tinha visto. A caixa mágica, que sabe-se lá o que guardava, talvez de pandora. Mas, era mágica. Dna. Beldade. se perdia e se achava. Em uma brincadeira solitária de esconde-esconde. Não tinha desentendimento. Havia também um quarto de brinquedos. Perfeirto. Lembrei de quando era menor ainda do que eu sou. aliás, você é desse tamanho mesmo? E eu filmei tudo. Todos os risos. e o cheiro de barata no dia seguinte. E o dia seguinte. que continuo o mesmo dia. e deveria ter durado uma eternidade. Aliás, senti assim. Os telefonemas sem fim. Com falta de uma pessoa querida. Fora o fora. me enganei. Pensei ser você do outro lado da linha. Senti um frio na barriga. Assim, como sinto em todas as vezes. Mesmo depois de uma eternidade. Mas, eu estava lá. No dia sem fim. Com tantas coisas boas. Para completar. Só faltava você lá. E eu . Se já existisse o além nos anos 70. ele seria lá. o banho de mangueira. estava perfeito. não fosse os olhos cansados de vida. Pois bem, eu estava lá. Nos anos 70. E filmei tudo. Até me perder em pensamentos desnecessários e desligar a câmera sem ver.