Grávida!
Tenho uma relação com a música muito estranha. Gosto de quase um tudo. Mas não é um tudo qualquer. É um tudo seletivo. Comecei a gostar de MPB e Rock das influências lá de casa. Digo que sou a mistura de uma hippie com um roqueiro no anos 80. Imagina o que saiu disso?! Eu.
Tenho muitas lembranças da minha primeira casa, que eu morei até os 10 anos. Lembro dos discos de vinil espalhados pela pequena sala, aos sábados, quando os amigos dos meus pais iam a casa festejar, escutavam de um tudo, faziam um almoço coletivo, riam, cantavam, tocavam violão. E assim eu cresci. Entre hippies e roqueiros. Tive lá meus discos da xuxa e do carrossel também. Mas gostava já com 6 anos de cazuza (na época barão vermelho) e chico. Sabe-se lá o porque disso. Fazia uma parodia com a música Layla do Eric Clapton, em português, é claro. E cantava e cantava como se fosse a minha vida. Meu pai ria. Lembro dos primeiros cds lá de casa. Um especifico, que a minha mãe comprou e escutou tanto que ficou sendo o "nosso" preferido. Um da Marina Lima. Chamado Marina Lima mesmo. E tinha uma música, que quando eu escutava ficava sentida com a letra, mesmo sem saber o que exatamente queria dizer. Grávida, era a música. Eu lembro da minha mãe pedindo para eu cantar a letra, porque já sabia de cor e ela ainda não. Desde então eu gosto muito dessa música. Acho por lembrar de um período bom. Um dia desses a música tocou no rádio enquanto eu voltava de um bar, sozinha, dirigindo de noche. E cantei novamente a música como se fosse a minha vida, abri os vidros e mesmo com o frio todo, cantei. Como se fossem as minhas palavras ali. Cantei como se fosse meu último dia. Aquela noite voltei feliz para casa. Lembrei dos velhos tempos. Para quem quiser ver aí está:
Marina Lima - Grávida
by Arnaldo Antunes E Marina Lima
Eu tô grávida
Grávida de um beija-flor
Grávida de terra
De um liquidificador
E vou parir
Um terremoto, uma bomba, uma cor
Uma locomotiva a vapor
Um corredor
Eu tô grávida
Esperando um avião
Cada vez mais grávida
Estou grávida de chão
E vou parir
Sobre a cidade
Quando a noite contrair
E quando o sol dilatar
Dar à luz
Eu tô grávida
De uma nota musical
De um automóvel
De uma árvore de Natal
E vou parir
Uma montanha, um cordão umbilical, um anticoncepcional
Um cartão postal
Eu tô grávida
Esperando um furacão, um fio de cabelo, uma bolha de sabão
E vou parir
Sobre a cidade
Quando a noite contrair
E quando o sol dilatar
Vou dar a luz
Tenho muitas lembranças da minha primeira casa, que eu morei até os 10 anos. Lembro dos discos de vinil espalhados pela pequena sala, aos sábados, quando os amigos dos meus pais iam a casa festejar, escutavam de um tudo, faziam um almoço coletivo, riam, cantavam, tocavam violão. E assim eu cresci. Entre hippies e roqueiros. Tive lá meus discos da xuxa e do carrossel também. Mas gostava já com 6 anos de cazuza (na época barão vermelho) e chico. Sabe-se lá o porque disso. Fazia uma parodia com a música Layla do Eric Clapton, em português, é claro. E cantava e cantava como se fosse a minha vida. Meu pai ria. Lembro dos primeiros cds lá de casa. Um especifico, que a minha mãe comprou e escutou tanto que ficou sendo o "nosso" preferido. Um da Marina Lima. Chamado Marina Lima mesmo. E tinha uma música, que quando eu escutava ficava sentida com a letra, mesmo sem saber o que exatamente queria dizer. Grávida, era a música. Eu lembro da minha mãe pedindo para eu cantar a letra, porque já sabia de cor e ela ainda não. Desde então eu gosto muito dessa música. Acho por lembrar de um período bom. Um dia desses a música tocou no rádio enquanto eu voltava de um bar, sozinha, dirigindo de noche. E cantei novamente a música como se fosse a minha vida, abri os vidros e mesmo com o frio todo, cantei. Como se fossem as minhas palavras ali. Cantei como se fosse meu último dia. Aquela noite voltei feliz para casa. Lembrei dos velhos tempos. Para quem quiser ver aí está:
Marina Lima - Grávida
by Arnaldo Antunes E Marina Lima
Eu tô grávida
Grávida de um beija-flor
Grávida de terra
De um liquidificador
E vou parir
Um terremoto, uma bomba, uma cor
Uma locomotiva a vapor
Um corredor
Eu tô grávida
Esperando um avião
Cada vez mais grávida
Estou grávida de chão
E vou parir
Sobre a cidade
Quando a noite contrair
E quando o sol dilatar
Dar à luz
Eu tô grávida
De uma nota musical
De um automóvel
De uma árvore de Natal
E vou parir
Uma montanha, um cordão umbilical, um anticoncepcional
Um cartão postal
Eu tô grávida
Esperando um furacão, um fio de cabelo, uma bolha de sabão
E vou parir
Sobre a cidade
Quando a noite contrair
E quando o sol dilatar
Vou dar a luz

