Só Trocadilhos

Apenas uns trocados de palavras!

Thursday, June 29, 2006

Grávida!

Tenho uma relação com a música muito estranha. Gosto de quase um tudo. Mas não é um tudo qualquer. É um tudo seletivo. Comecei a gostar de MPB e Rock das influências lá de casa. Digo que sou a mistura de uma hippie com um roqueiro no anos 80. Imagina o que saiu disso?! Eu.
Tenho muitas lembranças da minha primeira casa, que eu morei até os 10 anos. Lembro dos discos de vinil espalhados pela pequena sala, aos sábados, quando os amigos dos meus pais iam a casa festejar, escutavam de um tudo, faziam um almoço coletivo, riam, cantavam, tocavam violão. E assim eu cresci. Entre hippies e roqueiros. Tive lá meus discos da xuxa e do carrossel também. Mas gostava já com 6 anos de cazuza (na época barão vermelho) e chico. Sabe-se lá o porque disso. Fazia uma parodia com a música Layla do Eric Clapton, em português, é claro. E cantava e cantava como se fosse a minha vida. Meu pai ria. Lembro dos primeiros cds lá de casa. Um especifico, que a minha mãe comprou e escutou tanto que ficou sendo o "nosso" preferido. Um da Marina Lima. Chamado Marina Lima mesmo. E tinha uma música, que quando eu escutava ficava sentida com a letra, mesmo sem saber o que exatamente queria dizer. Grávida, era a música. Eu lembro da minha mãe pedindo para eu cantar a letra, porque já sabia de cor e ela ainda não. Desde então eu gosto muito dessa música. Acho por lembrar de um período bom. Um dia desses a música tocou no rádio enquanto eu voltava de um bar, sozinha, dirigindo de noche. E cantei novamente a música como se fosse a minha vida, abri os vidros e mesmo com o frio todo, cantei. Como se fossem as minhas palavras ali. Cantei como se fosse meu último dia. Aquela noite voltei feliz para casa. Lembrei dos velhos tempos. Para quem quiser ver aí está:

Marina Lima - Grávida
by Arnaldo Antunes E Marina Lima


Eu tô grávida
Grávida de um beija-flor
Grávida de terra
De um liquidificador

E vou parir
Um terremoto, uma bomba, uma cor
Uma locomotiva a vapor
Um corredor

Eu tô grávida
Esperando um avião
Cada vez mais grávida
Estou grávida de chão
E vou parir
Sobre a cidade
Quando a noite contrair
E quando o sol dilatar

Dar à luz

Eu tô grávida
De uma nota musical
De um automóvel
De uma árvore de Natal
E vou parir
Uma montanha, um cordão umbilical, um anticoncepcional
Um cartão postal

Eu tô grávida
Esperando um furacão, um fio de cabelo, uma bolha de sabão
E vou parir
Sobre a cidade
Quando a noite contrair
E quando o sol dilatar
Vou dar a luz

Wednesday, June 28, 2006

Moro com o Don Juan

Toda vez que chegamos em casa juntos é a mesma briga. Quem vai saber se tem correspondência. Sempre eu neh?! Brigo. Emburro. Mas vou. Quase nunca tem. Porque ele já pegou no dia anterior, e na semana anterior, mas mesmo assim eu vou. Só por desencargo de consciência. Ontem. Um dia desse. Desci do carro. Brigando e brincando. Pergunto por cartas ao porteiro e ele me entrega duas cartas e um arranjo grande. E eu espantada olhando a grande caixa. Não sabia se pegava, se gritava o nome dele, se abria o cartão para ver quem mandou. Não. Não era para mim, era para ele. Peguei a caixa e desci para a garagem. Com um sorriso nos lábios. Querendo saber logo quem mandou. Enquanto descia olhei bem a caixa. Lindo arranjo de flores, com duas taças, uma caixa de bombom, e um champagne. Com um cartão médio. Mas não consegui ver quem mandou. Entreguei o arranjo e ele com uma cara de caneca. Olhou o embrulho todo, mas logo procurou pelo cartão. E eu rindo. Dizendo só você mesmo para receber essas coisas. Mas pensando talvez possa ser a sua mulher, que está viajando. Mas não, ela não gastaria esse dinheiro. Não por não merecer. Aliás merece até mais. Mas, simplesmente porque isso não parecia nada dela. Entrei no elevador com ele, querendo logo saber quem mandou. Mas junto entraram mil crianças e começaram a falar comigo. Não sei que diabos tenho que toda criança vem falar comigo, e sempre nas horas que não posso falar. Demorou muito para o elevador subir. Meu Deus! O 13° andar nunca pareceu tão longe assim. Mas logo que entramos em casa, perguntei. Ele me respondeu que tinha sido a mulher. E eu disse.. ahã. É a sua galerinha neh?! Ele desconversou. Eu matraca que sou comecei a contar da faculdade e dos causos da D.P. Mas voltei para a cozinha e lá estava ele, prestes a ir tomar banho. Olhando o embrulho agora desembrulhado. E com uma cara de não acredito. Perguntei pela ultima vez, pai quem mandou isso para você? Foi a sua mulher? Ele disse foooiiii...ahh olha bem..você acha que foi ela? Eu acho que não. Ele disse, então. Não foi ela. Eu sabia. Quem é? É do trabalho? Ele só balanço a cabeça que sim. Mas não falou o nome. Eu disse, olha não sei o que você fez para receber isso, mas deve ter feito muito bem. Eu ri. Ele riu e disse que o pior era isso. Ele não tinha feito exatamente nada. Mas vou explicar o homem que é o meu pai. Nem bonito e nem feio. Charmoso. Anda muito bem vestido. Impecável. Até quando está maloqueiro ele é bonito. Gosta de fazer comprar. É um consumista nato. Cheiroso que só. Engraçado. Muito, muito engraçado. Sabe falar de tudo quanto é assunto e sabe bemmm. Muito inteligente. O FDP sabe cozinhar, sabe dançar, tem um ótimo gosto musical. Pelo meu ver. Tem CD até do George Michal. Aliás, por causa desse cd eu já pensei até que ele fosse Gay. Imagina isso? Ele é inteligente demais, isso sim. Me explicou que tem o CD do George Michal porque elas gostam. Quem conhece sabe. ELE É FODA!

Monday, June 26, 2006

Segundo dados do IBGE...

O mundo às vezes parece parar. Parece tudo em câmera lenta. Eu poderia dizer slow motion. Mas odeio usar termos em inglês. Vi e revi mil vezes a nossa estória. E a minha conseqüentemente. Não entendo ainda porque deu nessa merda toda. Merda, aliás, já é uma palavra que eu gosto muito de usar. Certa vez, um pouco inebriada da vida, em conversas sem sentindo algum, com uma amiga de carona, de surtos psicóticos e amiga da vida, fiz uma obs. De que é bem pior mandar à merda do que mandar tomar no cu. Cu sem acento. Por favor. Mas se você quiser colocar acento. Fuck Off. Nesse caso, e apenas nesse, o inglês como xingamento é válido.
Por que?
Por que o que?
Por que mandar a merda é pior do que mandar tomar no cu? Com ou sem acento.
Ah! Porque merda creio eu, é pior do que cu. Não desmerecendo (ou não) as pessoas que gostam de escatologias fora da privada. Mas, acho sinceramente, que as pessoas gostam mais de cu do que de merda. Aliás, ótimo dado para ser pesquisado pelo IBGE. Imagina só a notícia quando você abrir o caderno de economia: "Segundo o IBGE 74% da população prefere o cu à merda". Muito mais útil saber isso, do que quantas pessoas comem frango em um país. Subdesenvolvido. Que não tem nem mesmo o pão para comer. E onde muitas pessoas nem fazem parte do número, pq para esses números, as pessoas que comem ou não frango simplesmente não existem. Além do que eu nunca vi esse tal de IBGE.
Por todos esses fatores e mais alguns (poderia ficar horas aqui escrevendo) que acho que mandar a merda é mil vezes pior do que mandar tomar no cu. Mesmo o cu tendo relação com a merda. Mas mesmo com essa relação toda, nem sempre tem merda no cu. E já que é para mandar á merda, tem que falar com a boca cheia. Não cheia de merda. Peloamordedeus! Cheia de vontade. Para impressionar ou ser convincente pode dar mais ênfase no R. E falar vai a meRRRda. Ah sim! Agora me lembrei porque tudo isso deu em merda. Porque você me mandou à merda. E a merda eu não aceito. Poderia ter me mandado tomar no cu. Mas á merda? Ah Não! A merda não.

Wednesday, June 21, 2006

Bon voyage!!!

Uns dias perdidos. Resolvi pegar a estrada. Sem lá nem cá. Fui eu. Sozinha. Mas acompanhada. Com frio e calor ao mesmo tempo. Peguei todos os meus cds e livros. Guardei cada palavra dita e escrita. Cada melodia e cada página. Fui por uma vontade gritante pedindo MUDANÇA, JÁ!!!!Então fui. Mas levei comigo cada conversa. Cada amigo. Cada sorriso. Cada papo de botequim. Cada crise de riso e de choro. Cada conselho. Cada paixão. Cada sessão de cinema. Levei também a minha família e tudo o que ela me ensinou. Levei a chuva e o sol. Também meus tombos pelas ruas e pela vida. Levei cada pedaço do que conheci. Cada paisagem. Cada montanha que precisei escalar para conseguir o que queria. Cada dia que acordei cedo para labutar, mesmo quando a cama implorava para que eu ficasse mais, isso, por pura carência dela, é claro. Levei também cada almoço de domingo, e todas as baboseiras da minha família. Levei comigo somente o necessário. A fortaleza da minha mãe e a objetividade do meu pai. A risada do meu irmão. Os conselhos da minha avó. As broncas dos amigos, os ombros também. Levei o necessário e parti. Espero em breve voltar e reencontrar todos. Com uma bagagem maior. De cds e livros. E claro de vida!

Tuesday, June 20, 2006

Como uma luva!

Para quem você vendeu seu tempo?
Absolutely Blind.
Engulo desaforos mas com sinceridade.
Não olho para trás e sai da minha frente que essa é uma rasante: garras afiadas e pernalta.
É jazz do coração.
As mulheres gostam de provocação.
Seu livro solta as folhas.
E eu nem nada.
Fiz misérias no caminho do conhecer.
Mas hoje estou doente de tanta estupidez.

Não. Essas palavras não são minhas. Pertencem à Ana Cristina Cesar. Recomendo!

Wednesday, June 14, 2006

Já viu poeta rico?!

Estava por esses tempos esperando uma amiga na porta do cinema HSBC, ali na rua consolação por volta das 19h. Ela se atrasou por um tempo. Não me importei por dois motivos, tenho paciência, afinal, sempre me atraso, e adoro ver o movimento daquele horário. Eis que um homem-menino me abordou perguntando se gostava de poesia, disse que sim, ele veio me mostrar o livrinho (não desmerecendo o trabalho do moço, apenas pelo tamanho do livro) de suas poesias. PERFEITO! Parecia que ele tinha escrito cada palavra, cada página para mim. Infelizmente eu estava sem um puto no bolso, como sempre, mas comecei a conversar com o senhorio. Lindo, alto, traços fortes, uma inteligência para poucos universitários. Não me recordo o nome dele, apenas que assina seus escritos por berimba. Eu ainda esperava pela minha amiga, sem lembrar muito que esperava, ficamos ali conversando por um bom tempo, ele vendeu uns 2 livros, palavreamos sobre viagem, literatura, sobre poesia e a dificuldade em vender os livros, falamos também de casamento e filhos, sobre ilhas e personalidades, ah palavras saborosas! Ficamos ali por 30 minutos ou mais. Por mim eu ficaria ali por muito mais tempo, meu cel tocou, e tive que partir. Mas fiquei pensando, quantas e quantas pessoas interessantes e fora do nosso convívio temos para conhecer e aprender.... tive vontade de sair pela paulista e conversar com todo mundo. Ah! Quanto ainda tenho para aprender, com quem menos espero. E quantas linhas para escrever e tantas outras para ser lidas!

Monday, June 12, 2006

Sou três pontinhos...

Sem vontade das palavras.
Nem para escrever.
Nem ler.
Nem nada.
Nem falar e nem ouvir.
Nem saber da existência.
Nossa!! O que aconteceu?!
Nada, absolutamente nada.
Só estou cansada.
Muito cansada.
Por que?!
Por nada.
Apenas por que sou reticência.