Só Trocadilhos

Apenas uns trocados de palavras!

Thursday, July 27, 2006

Caballo De Los Suenos

Desnecessário, me olhando nos espelhos
com um gosto de semanas, de biógrafos, de papéis,
arranco do meu coração o capitão do inferno,
estabeleço cláusulas indefinidamente tristes.

Vago de um ponto a outro, absorvo ilusões,
converso com os alfaiates nos seus ninhos:
eles, frequentemente, com voz fatal e fria
cantam e os males espantam.

Pablo Neruda.

Thursday, July 20, 2006

Por onde anda João Ubaldo Ribeiro?

Comecei a apreciar crônicas, depois de conhecer João Ubaldo Ribeiro. Não. Eu não o conheço pessoalmente. Conheci, folhando as páginas do Estadão, em um dia de domingo. SIM! EU LEIO ESTADÃO. Achei-o lá perdido, quase um rodapé. Suas palavras, uma após a outra. No Caderno Dois. Fiquei intrigada. Li tudo. Reli. Grifei algumas partes. E pensei: É isso! É isso que eu quero fazer. Isso! Para o resto da minha vida. Seja lá o que for isso. Mas é isso que eu quero. Sei. Minha gramática é péssima. Mas posso melhorar. Como vou sobreviver disso? Se nem sei como isso chama? Mas isso não importa. É isso mesmo. Vou aprender a fazer essa tal de crônica. Sei lá como. Descobri então que não existe uma receita. Você simplesmente vai escrevendo palavra após palavra e sai alguma coisa. Comecei então a estudar. Comprei livros. Lia sempre nos jornais. Comecei a tentar escrever. Saiu uma merda. A segunda saiu uma merda menos pior. Continuei lendo João e tantos outros. Até que por esses tempos, peguei o Estadão e cadê João Ubaldo Ribeiro? Sumiu! Ahh COMO ISSO? Eu repetia várias vezes olhando para o jornal, virei todas as páginas, desesperada. E todos me olhando, sem ninguém entender nada. Quando eu fui falar, praticamente gaguejando. Nem deram importância. E eu: Como assim? Esse cara, esse aqui meio esquisito, com cara de maluco, que me fez ir até paraty para vê-lo e não apareceu, por uma briga com a editora, esse mesmo cara que mudou toda a minha vida. E vocês aí sem nem se manifestarem, nem um ato de OHHH E AGORA? Que falta de.. de.. de... ahh pá PQP.
Depois de semanas, procurando por ele. O senhor dono do meu destino. Achei um site. Boas palavras. Boas dicas. Um dia quem sabe encontro ele por aí. Em páginas perdidas no rodapé ou em um boteco qualquer da vila madalena. Encontro o maior de todos. Mas e aí? Alguém sabe dele?

Thursday, July 13, 2006

Que Coisa

Que Coisa

Sentiu-se abandonado, mas...
ela o largara
sem livros, sem filhos,
sem mitos, sem nada.
Até a poesia ele renunciou
feito um Rimbaud sereno.
José De Carvalho

Poeta de rua.

Wednesday, July 05, 2006

Lembrancas!!!

Lembro da primeira vez que eu o vi. Ele, voltando da quadra. Todo suado. E sei lá porque meu coração começou a bater forte. A minha respiração ficou mais ofegante. Ele usava o cabelo meio tigelinha. Tinha uma bermuda curta. Os olhos castanhos. Era meio estranho. Nem éramos da mesma 5º série. E meu coração, sei lá porque batia e batia e batia, cada vez mais forte. Foi um ano assim. Minhas amigas falavam: imagina! Olha bem esse guri?! E ele ainda volta todo suado. Não para de jogar futebol. E eu não parava também. Só para ficar na quadra com ele. Nosso diálogo era inexistente. Achava eu, que ele nem sabia da minha pessoa. O ano acabou e com ele meu coração se foi. O ano seguinte chegou, e minha esperança voltou. Caimos na mesma sala. Ele mais alto. Eu com um aparelho novo. Viramos conhecidos. Minhas amigas ainda zuavam com a minha cara. E eu ainda assim, era apaixonada por ele. As vezes brincavamos um com o outro. Mas nada demais. Passei a sexta série inteira assim. Conheci outro menino. Mais novo. Bonitinho. Mas não era ele. Mesmo assim, foi o meu primeiro beijo. Péssimo. Na àrvore do muro da escola. Foi rápido e péssimo. No dia seguinte esse menino mais novo. Rodrigo. Pixou meu nome no portão da escola. E escreveu com um giz na frente da biblioteca que queria namorar comigo. E eu nunca mais falei com ele. Ainda assim, esperava o outro. Que me considerava a menina estranha, meio gordinha, que usa aparelho e não para de falar nunca. Passou o ano. Veio o próximo, mudamos de horário, ficamos mais intimos. Mais amigos. E eu ainda louca por ele. Na minha concepção de louca daquela época. Eu era louca por ele. Ele até então, só me reparava como uma amiga. Conheci então outro guri. Ricardo. Dessa vez mais velho. Lindinho, loiro, fofo, estudioso o oposto do outro. Ficamos paquerando, como diz minha adorada avó. E começamos a ficar. Ficamos pelo ano todo. Eu adorava ele. Ainda era louca pelo outro. Mas tinha esquecido por um determinado tempo. Até que ele quis ficar comigo, e eu com o outro, disse não. Passou o ano. O mais velho foi para outro colégio. Outro ano. Mais velhos. Ele estava lindo. Para mim sempre foi. Para as minhas amigas se tornou. Eu estava mais aprumadinha também. Apaixonada ainda. Nos conhecemos melhor. Ele quis novamente ficar comigo. Eu dessa vez, desimpedida aceitei. O horário era outro. Saíamos tarde do colégio. Lembro do nosso primeiro beijo. Um dia frio. Nos beijamos na rua de baixo do colégio. Foi rápido. Estranho mas bom. Voltei para casa com uma sensação de vitória. De felicidade. Não conseguia nem falar nada. Isso durou alguns meses. Descobri que assim como eu. Ele era ariano. Eu era mais velha um dia. Descobri que morava na mesma rua do colégio. Nossa amizade ficou estranha. Ele se afastou. Então descobri em um passeio, que ele era apaixonado e louco assim como eu, pela minha melhor amiga.